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08 dezembro 2008

Infografia Digital


Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação. O CETAC.Media é um centro de investigação universitário, reconhecido pela FCT. Inicialmente denominado CETAC.COM, em 2007 o Centro fundiu-se com um centro congénere da Universidade de Aveiro e alterou, em parte, a sua designação, em consonância com algumas valências novas que adquiriu.

"Mesmo longe de ser a panaceia para a crise por que passam os jornais em suporte papel, a infografia tem vantagens intrínsecas que nem o texto, nem a fotografia podem emprestar ao jornalismo: descodificam, simplificam, ampliam pormenores e mostram fenómenos que só visualmente podem ser compreendidos.

Não é por acaso que o recurso à infografia parece estar a ganhar terreno no jornalismo clássico e no ciberjornalismo, cada vez mais rendidos às virtualidades de uma ferramenta que divide os especialistas quanto à sua catalogação: género jornalístico, ou apenas uma forma de apresentação visual de dados?

Enquanto veículo por excelência para contar uma história jornalística, a infografia está condenada a reclamar para si um papel de âncora na, pelo menos, tentativa de os jornais estancarem a sangria de leitores diagnosticada nas últimas duas décadas. Apesar de existir desde que a Imprensa moderna conheceu a luz do dia, a infografia faz hoje mais sentido do que nunca. Por uma razão tão simples quanto incontestável: o poder de captação da atenção do leitor. E de memorização.

Numa sociedade sem tempo para nada, a ferramenta de comunicação visual é verdadeiramente uma mais-valia para o jornalismo moderno, porque “condensa o que de importante há a reter em determinada notícia e apresenta-a num formato de leitura rápida”. Alberto Cairo, jornalista, especialista em design e artes visuais e professor de Jornalismo na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, não podia ser mais claro quando sublinhou que, “com uma vista de olhos, o leitor apressado de hoje consegue captar o básico sobre determinado fenómeno ou acontecimento”. Nada mais acertado.

Mas, ainda que adepto do jornalismo infográfico, que, em Portugal, ainda tem um longo caminho a (per)correr, Alberto Cairo tem dúvidas quanto ao poder da infografia na salvação do jornalismo impresso, convencido de que a apresentação visual de dados “ajudará na mesma medida em que um bom texto ajuda – ela é apenas uma ferramenta para transmitir o conteúdo”.

O professor universitário é ainda da opinião de que “a infografia é uma linguagem jornalística”, razão pela qual não hesita sequer em definir o “infografista como um jornalista”. E Alberto Cairo não está só na atribuição de uma importância irreversível aos profissionais de infografia. Também Juan António Giner, professor da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade de Navarra, em Espanha, defende que “a infografia deve estar no começo e não fim da cadeia de montagem” e que “os infografistas são mesmo jornalistas”.

O desafio dos que se dedicam a contar histórias jornalísticas, passo a passo, através da integração interdisciplinar de desenho, fotografia, ilustração, gravura ou volume, é, pois, o de derrubarem duas barreiras: a resistência – ou insensibilidade? – dos editores para sacrificarem texto a favor da infografia e ainda a impreparação dos jornalistas para darem conta das histórias que podem ser contadas por representação visual de dados."

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