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22 setembro 2009

Media


'Uma tempestade chamada crise'. Por Ana Marcela no jornal 'Meios & Publicidade', da WorkMedia, de 18 de Setembro.

Os primeiros sinais da borrasca começaram a surgir no final do ano passado, mas a tempestade criada pelo tufão chamado recessão económica atingiu em pleno os grupos de comunicação social em 2009. Nos primeiros meses do ano a ideia de um verdadeiro annus horribilis para o sector da comunicação social começou a ganhar força, alimentada pelos números do investimento publicitário que assinalava quebras na ordem dos dois dígitos, a fazer fé nos relatórios e contas dos grupos com presença em bolsa, à falta de números de mercado globais e reais.

O impacto da crise também assumiu visibilidade quando notícias de despedimentos colectivos, redução de remunerações e processos de redução de quadros começaram a surgir associadas ao sector com uma regularidade cada vez maior, colocando em pé de igualdade pequenos e grandes editores que procuraram reduzir, também por essa via, a sua estrutura de custos.

O movimento de reorganização dos grupos e editores para fazer face à recessão que se instalou surgiu no mesmo ano em que se esperava uma decisão sobre as candidaturas ao quinto canal de televisão generalista. O projecto, contestado por uns e recebido por outros como uma forma de dinamização do sector do audiovisual português, foi uma das ‘bandeiras’ do executivo socialista, mas acabou por morrer na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

O organismo regulador analisou as duas únicas candidaturas apresentadas pela Zon Multimédia e Telecinco (proposta por um conjunto de profissionais, entre os quais Carlos Pinto Coelho) e em finais de Fevereiro anunciou o chumbo das candidaturas. O processo ‘quinto canal’ está ainda em tribunal, com os dois candidatos a contestarem a decisão da Entidade Reguladora.

No último ano a aproximação entre media e telecomunicações voltou a estar na ordem do dia. “As pessoas compram triple play porque querem conteúdos, querem televisão”, afirmava Zeinal Bava, presidente da PT, justificando a aproximação da operadora à Media Capital, negócio que acabou por colocar a PT no centro de uma discussão e de acusações de ingerência do governo na comunicação social.

Polémica que acabou por dar um fim prematuro à entrada da operadora no grupo proprietário da TVI, mas a mesma lógica levou a empresa liderada por Zeinal Bava a assinar com a Impresa uma parceria estratégica de conteúdos para as suas diversas plataformas, e da qual resulta o SIC Kids, com lançamento previsto para Dezembro no Meo.

Uma lógica de aproximação de telecomunicações e media que parece ser igualmente defendida por Nuno Vasconcellos. “A Ongoing tem uma estratégia bem definida para os mercados onde está presente, como os media e as telecomunicações.

Acreditamos que essas áreas no futuro vão depender mais umas das outras para conseguirem ter sucesso”, defendia em Março o presidente da Ongoing. “Os conteúdos precisam de plataformas para serem distribuídos e as plataformas de distribuição precisam de bons conteúdos para se diferenciarem e se afirmarem como uma proposta de valor. É nesse sentido que trabalhamos”, sintetizava.

O grupo prepara-se para lançar até ao final do ano o Económico.TV e é candidato à compra de uma participação na Media Capital. A concretizar-se o negócio pode dar início a mexidas na organização do panorama dos media nacionais, já que a Impresa, onde são os segundos maiores accionistas, já deu conta do facto de considerar a presença da Ongoing nos dois grupos como um “potencial conflito de interesses”.

Movimentos de consolidação não estão assim fora de um cenário futuro, num sector que ainda não tem que enfrentar as limitações impostas pela chamada Lei da Concentração, diploma proposto pelo executivo e vetado, por duas vezes, pelo Presidente da República. O governo optou por deixar o tema para a próxima legislatura.

A internacionalização…

Internacionalizar para o mercado da lusofonia foi, olhando para o último ano, uma decisão que perspassou no sector de media nacional. A Ongoing já deu a conhecer que vai lançar um jornal económico no Brasil, mas não é caso único.

A edição angolana do desportivo A Bola (em parceria com a Medianova), a colaboração da TVI no lançamento da TV Zimbo, também para o mercado angolano e para o grupo liderado por Álvaro Torre, o lançamento da edição de o Oje em Cabo Verde, ou recuando a Agosto do ano passado o lançamento da SportTV África, são disso exemplo.

Mais recentemente, surge o interesse do Sol em apostar em edições para os mercados lusófonos, uma estratégia de expansão do semanário que se tornou pública após a aquisição, em Fevereiro, do título por um grupo de investidores angolanos, a Newshold.

A promessa do online

A debaterem-se com um mercado publicitário em queda, com a imprensa a sofrer os maiores níveis de descida de investimento, os grupos começaram a olhar para o online como uma fonte de receita.

No Público essa constatação levou o título da Sonaecom a reorganizar toda a redacção com o objectivo do online, processo iniciado no final do ano passado, e o Diário de Notícias a lançar em Março o site do diário da Controlinveste.

A integração em Abril na ACEP da publicidade interactiva, levando à mudança de designação para ACEPI - Associação do Comércio Electrónico, com representantes dos diversos grupos de media e da publicidade online, e antes disso, em Fevereiro, o facto da Portugal Telecom e outros cinco grupos de media nacionais (Cofina, Controlinveste, Impresa, Media Capital e Sonaecom) se terem juntado para criar uma rede de anúncios contextuais para a sua rede de sites, entrando assim num terreno de eleição do Google, são igualmente sinais desse crescente interesse. E que não passa exclusivamente pela receita publicitária, com a questão da cobrança dos conteúdos online a surgir com maior frequência como uma opção para compensar receitas em quebra dos meios.

Em Portugal, o grupo Impresa começou a partir de Julho a realizar essa cobrança, com a criação de assinaturas digitais de diversos títulos da Impresa Publishing e, mais recentemente, foi criada a Visapress, uma cooperativa com diversos grupos de media no seu lote de fundadores que, além de assegurar a gestão da questão do clipping, tem nos seus objectivos a gestão dos conteúdos online agregados, sendo possível a cobrança dos mesmos aos portais agregadores ou aos próprios leitores, caso os editores assim o definam.

Mas a ‘plataforma’ papel, apesar de assinalar quebras de circulação paga, como o revelam os números da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT), ainda mantém o interesse dos grupos de media, tendo este segmento assistido ao nascimento de um novo diário, o I, com o investimento da Lena Comunicação. O título surge uma década depois do 24 Horas, o último diário a chegar às bancas, jornal que operou em Maio uma profunda reformulação gráfica e tem agora um novo director.

Gratuitos: um mercado em consolidação

Já este mês foi conhecido que a Metro News, editora do Destak detida a 59 por cento pela Cofina, estava a negociar com a Holdimédia, de Alberto do Rosário, a compra dos 80 por cento detidos pelo empresário na Transjornal, editora do gratuito Metro. Um negócio que, a concretizar-se (e tudo indica que deverá chegar a bom termo), coloca nas mãos da Metro News a totalidade do capital do gratuito Metro.

O negócio representa também o passo mais recente de um movimento de consolidação de um segmento que se debate com a gestão do impacto da actual crise económica nos investimentos publicitários, visível na redução da circulação total reflectida no último boletim da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT): de Janeiro a Junho o segmento dos diários generalistas viu cair a sua média de circulação total em 43,17 por cento, para os 314.086 exemplares.

Setembro foi também o mês em que o Meia Hora, gratuito lançado em Maio de 2007 pela Metro News, deixou de ser publicado e viu a sua redacção e activos serem integrados no Metro. Decisão que concretizava sinais de uma proximidade cada vez maior entre a editora e a Holdimédia, que o anúncio da vontade da compra dos 100 por cento do Metro veio a confirmar.

Em menos de um ano, o segmento viu desaparecer o Sexta-feira (semanário editado pelo Público e pela Vicra Sociedade Desportiva, editora do A Bola), assistiu à saída da Metro International do mercado português, com a venda do Metro aos accionistas portugueses, e indirectamente à consolidação do peso da Cofina neste segmento.

O grupo liderado por Paulo Fernandes, através da sua participação na Metro News, passou a controlar o primeiro e segundo título com maiores audiências do segmento. No segmento dos diários generalistas, além da Cofina, mantém-se apenas a Controlinveste, com o Global Notícias.

Uma questão de maioria…

“Uma maioria é uma maioria, uma minoria é uma minoria”. A frase é de Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa, e foi proferida durante a recente apresentação dos novos estúdios da SIC, no qual o grupo investiu 2,4 milhões de euros. A mesma frisava a vontade do fundador do grupo do Expresso manter o controlo da holding, não cedendo uma posição executiva, hipótese colocada em Agosto pela Ongoing Strategy Investments, segundo maior accionista.

Um extremar de posições entre os dois accionistas que começou a ganhar contornos públicos em Junho, quando Francisco Pinto Balsemão admitiu que o grupo estava a estudar um “potencial conflito de interesses” entre a Impresa e a Ongoing, conhecida a vontade do grupo de Nuno Vasconcellos de obter uma posição dominante na Media Capital, após o aparente fim das negociações entre a holding da TVI e a Portugal Telecom para a compra de uma participação no grupo detido pela Prisa.

E nada parece ter mudado desde então, a fazer fé nas palavras de Francisco Pinto Balsemão, que garantia, numa mensagem interna, mas também para o mercado, que “cá estarei, não tenham dúvidas, para liderar” o grupo.

A regressar no segundo trimestre aos lucros, com 3,9 milhões de euros, depois de três trimestres consecutivos negativos, o grupo não passou incólume à forte recessão que afectou o sector de media, e que o levou a preparar “um orçamento para 2009 de grande contenção e realismo.

Trabalhámos num cenário de queda acentuada no mercado”, como garantia Francisco Pinto Balsemão. Redução de custos de 30 milhões em 2008, e mais 10 milhões este ano, com o objectivo de obter poupanças de 12 milhões de euros, foram alguns dos números avançados. O grupo vivia ainda os efeitos da compra em Maio do ano passado dos 50 por cento detidos pela Edipresse na Edimpresa, operando reestruturações profundas em duas das áreas de negócio fundamentais.

Na imprensa, em Maio do ano passado fundiu jornais e revistas e criou a Impresa Publishing, sob a liderança de José Carlos Lourenço, e na televisão, entregou a direcção-geral a Luís Marques (efectiva a partir de Janeiro deste ano), tendo alienado empresas como a iPlay, a Dialectus e produtora Terra do Nunca, vendida à SP Televisão de António Parente por 1,7 milhões de euros, e extinguido outras como a SIC Indoor.

Em Março o grupo comprou os 40 por cento da SIC Notícias, nas mãos da Zon, por 20 milhões de euros. Em Julho anunciou uma parceria estratégica com a Portugal Telecom válida até 2012 para o fornecimento de conteúdos na área de televisão e internet para todas as plataformas de distribuição do grupo PT, como a mobile TV. O canal infantil SIC Kids, previsto para Dezembro, será o primeiro projecto a resultar deste acordo.

Com um pé nos media nas e outro nas telecomunicações

Com um pé nas telecomunicações e outro nos media, a Ongoing Strategy Investments, de Nuno Vasconcellos, tem vindo a aumentar o seu peso no sector da comunicação social. O grupo começou a revelar-se como um player a ter em conta no mercado dos media quando em Julho do ano passado comprou a Económica aos italianos do RCS Media Group por 27,5 milhões de euros, valor 17 vezes superior ao EBITDA da editora que em 2007 apresentava nesse item 1,6 milhões de euros e receitas de 12,8 milhões.

As mudanças na editora do Diário Económico e do então Semanário Económico não se fizeram esperar, a começar pela comissão executiva que passou a reflectir os novos proprietários, mas também a direcção dos títulos que passam a estar sob a alçada de António Costa.

Os títulos passaram igualmente por reformulações gráficas, de designação e de dia de saída, caso do Semanário que passa a sair ao sábado e, mais recentemente, assume o nome Weekend Económico.

A Económica.TV, projecto de televisão corporativa, foi outro dos projectos lançados no ano passado, mas em Julho o grupo anunciou que até ao final do ano irá lançar um canal de televisão por cabo, estando a negociar com a PT e com a Zon Multimédia (operadores onde tem participações) a sua distribuição.

O mercado da lusofonia é uma das ambições do grupo de Nuno Vasconcellos. Uma estratégia já visível através da parceria de conteúdos com os angolanos da Scoremedia (proprietários do Expansão) e no futuro jornal de economia a ser lançado no Brasil, previsto para Outubro.

Terá sido para consolidar essa ambição internacional que o grupo reforçou o conselho de administração com Fernando Maia Cerqueira e, mais recentemente, com a chamada à vice-presidência da Ongoing Media de José Eduardo Moniz, antigo director-geral da TVI.

É também pelo grupo proprietário da estação de Queluz que poderá passar o futuro da holding de Nuno Vasconcellos, que já admitiu vontade de adquirir uma posição dominante na Media Capital. Desejo que, aliás, já levantou objecções na Impresa, onde detêm uma participação de mais de 20 por cento, falando-se em potencial conflito de interesses. Este Verão a Ongoing propôs um aumento da sua posição da Impresa, assumindo o controlo executivo da holding, proposta rejeitada por Francisco Pinto Balsemão.

À procura de parceiros…

Um ano pleno de mudanças é, no mínimo, o que se pode dizer quando olhamos para o percurso recente da Media Capital. No epicentro de tudo isto está o negócio de televisão, com a TVI (que representa 57,3 por cento das receitas do grupo) a funcionar como verdadeiro íman do interesse de compra de diversos operadores nacionais, com a Portugal Telecom (PT) e, mais recentemente, a Ongoing Strategy Investments, a manifestarem vontade de adquirir uma participação na holding controlada pela Prisa.

O grupo, desde Março liderado por Bernardo Bairrão, já admitiu interesse na venda de uma parte do seu capital (entre 20 a 30 por cento), desejo a que certamente não será alheia a necessidade de injectar liquidez na casa mãe, a Prisa, a braços com o pagamento de um crédito de 1.950 milhões de euros até Abril, contraído com a OPA à Sogecable e que empurrou a dívida total do grupo para 5 mil milhões de euros.

Segundo a imprensa espanhola, o grupo tem até meados de Outubro para obter uma injecção de capital de 300 milhões de euros, para dar resposta aos credores. Depois do ‘chumbo’ do executivo, o negócio entre a PT e o grupo de media parece ter chegado a um fim precoce, perfilando-se a Ongoing Strategy Investments como um player a ter em conta nesta operação. Mudanças na cúpula de direcção da estação foram também um dos factos relevantes a afectar a TVI.

Mais de uma década depois de assumir os destinos da TVI, José Eduardo Moniz, director-geral da estação de Queluz, saiu do grupo, tendo ainda em Agosto sido anunciado como vice-presidente da Ongoing Media, braço de media da Ongoing Strategy Investments, de Nuno Vasconcellos.

Em Setembro, a estação sofre novas baixas na sua equipa directiva, desta feita na área de informação, que em bloco demite-se reagindo à suspensão do Jornal Nacional de Sexta-feira, apresentado por Manuela Moura Guedes.

Uma decisão, aliás, encarada por muitos analistas como surgindo no âmbito da situação de potencial venda de parte do capital do grupo, uma forma, dizem, de suspender um produto que poderia afectar o valor de venda da empresa. Sendo essa ou não a razão que motivou o fecho do bloco noticioso, o certo é que a medida provocou uma verdadeira tempestade mediática no panoramo político português.

Júlio Magalhães foi, entretanto, nomeado para dirigir a informação da estação de Queluz e na área de programação a administração da TVI anunciou a criação de uma Direcção de Coordenação de Programas, sob a alçada de Luís Cunha Velho.

2009 foi também o ano em que um projecto há muito acalentado pelo grupo surgiu no pequeno ecrã - o TVI 24, canal informativo que em finais de Fevereiro passou a emitir na Zon TV Cabo -, tendo ainda sido implementada a nova organização da antiga NBP, agora Plural Entertainment, sendo que nos objectivos estava a concentração de toda a operação de produção televisiva do grupo em Portugal e Espanha.

Na área de imprensa, as mudanças começaram a ser desenhadas em Setembro do ano passado, altura em que a Media Capital Edições foi vendida à Progresa (empresa do grupo) por 8,75 milhões de euros, processo que levou em Julho ao anúncio da Progresa/MCE, unidade que passou a englobar os activos de revistas do grupo em Portugal e Espanha. Em Portugal, a editora iniciou um processo de redução de quadros e de alienação de títulos, como foi o caso da Casas de Portugal e do Briefing.

Na rádios, a MCR viu nomeado em finais de Junho Luís Cabral para administrador, cargo que já não existia no braço radiofónico do grupo desde meados de 2007. Uma nova direcção comercial e a saída de Luís Osório da direcção do Rádio Clube, cargo que ocupava desde a mudança de formato da estação, são as alterações mais visíveis que já emergiram nesta nova fase desta área de negócio que, até o primeiro semestre, apresenta resultados operacionais negativos de 1,3 milhões de euros.

Em finais de Julho, o grupo escolheu Victor Moura para dirigir o RCP. Uma mudança de formato do projecto de uma ‘rádio de palavra’, que se inspirou na Cadena Ser, estação do grupo em Espanha, chegou a ser dada como certa pela imprensa, hipótese que o grupo desmente.

The New Kid on the Block…

Maio viu chegar às bancas um novo diário: o I. Dirigido por Martim Avillez Figueiredo, o projecto representa a primeira aposta de âmbito nacional da agora rebaptizada Lena Comunicação, até aqui um player centrado na imprensa regional, com os semanários O Grande Porto (lançado a 3 de Julho), o Jornal do Centro, Jornal da Bairrada, Região de Leiria, O Ribatejo e O Algarve, o Diário As Beiras e os mensários gratuitos O Aveiro, O Eco, Jornal de Abrantes e Negócios & Notícias, integrando ainda na comunicação social duas rádios regionais (Rádio Noar e Rádio Antena Livre) e a agência de gestão de espaço publicitário de âmbito regional MeioRegional.

O projecto, que começou a ser trabalhado em Agosto do ano passado, entrou no mercado dez anos depois do 24 Horas, o último diário generalista a chegar às bancas, e num ano em que não só a circulação paga dos títulos, a fazer fé nos números da APCT referentes ao primeiro semestre, está em quebra (-7,56 por cento) como o mercado publicitário assinala descidas na ordem dos dois dígitos. Um cenário que os responsáveis do título pareciam antecipar: “Em termos de orçamento, estamos preparados para uma hecatombe”, garantia em entrevista ao M&P João Pedro Mendes, director comercial do título, quando questionado sobre o valor de investimento que contava cativar para o novo diário.

Mais, dizia o responsável comercial, “a rentabilização deste projecto, como seria de esperar num ano de crise, assenta num controlo muito efectivo e numa gestão muito apertada dos custos e não tanto na receita”.

Os responsáveis editoriais e a equipa da Innovation, atelier a quem entregaram a consultadoria e design do I, surgiram com um diário com um formato mais pequeno do que os diários já no mercado, agrafado e com “menos 35 a 40 por cento de páginas do que os outros jornais”, explicava Martim Avillez Figueiredo.

O título também optou por uma edição de segunda a sábado, prescindindo do domingo porque “77 por cento das bancas estão fechadas ao domingo”, sendo necessário para manter o domingo “mais 33 por cento de pessoas a trabalhar. Isso seria absurdo financeiramente”, argumentava o director do jornal. 10,4 milhões de euros foi o valor investido pela Lena Comunicação no I, com um retorno previsto em cinco anos.

Quatro meses depois, dados da APCT do título ainda não existem, mas segundo os dados avançados por Martim Avillez Figueiredo ao I, aquando da centésima edição do diário, o título tem uma média de circulação paga de 12.753 exemplares.

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