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12 dezembro 2011

A infografia do ‘i’


'Mostra Nacioanl de Infografia 2011'. O infografista português Carlos Monteiro escreveu o artigo ‘A Infografia do ‘i’’ para o documento ‘Mostra Nacional de Infografia 2011’, que representam o que de melhor se fez em visualização de dados jornalísticos no Brasil.

Editor de infografia do ‘i’, Carlos Monteiro começou a trabalhar em infografia no jornal diário ‘24horas’, de 2001 a 2009. Em 2011, trabalhou ainda para as revistas norte-americanas ‘Bloomberg Businessweek’ e ‘Adweek’.

Para a ‘Mostra Nacional de Infografia 2011’ escreveram ainda Fábio Marra, editor de arte do diário ‘Folha de S. Paulo Carlos Monteiro, editor de infografia do diário ‘i’, Tattiana Teixeira, professora da UFSC, e Ary Moraes, infografista e professor da UFRJ.

A INFOGRAFIA DO 'i'
Carlos Monteiro

“É costume neste tipo de texto apontar um caminho para o futuro, normalmente a glorificar a internet e outros meios multimídia, é costume apresentar uma estratégia infalível para o êxito. Peço que me desculpem mas não vou fazer nada disso. A verdade é que eu amo um jornal que vende poucos exemplares e amo trabalhar para papel. Com tanta emoção à mistura, espero que compreendam que me reserve o direito de não opinar sobre a melhor forma de salvar os jornais.
Posso, isso sim, escrever sobre a melhor forma de salvar a sua saúde mental, no caso de você trabalhar como infografista. É fácil (mesmo se a sua secção só tiver dois elementos, como aqui): basta trabalhar com as melhores pessoas que já conheceu, tanto a nível profissional como pessoal. No ‘i’ trabalharam e trabalham os melhores jornalistas e designers que já encontrei e, no final do dia, todos contribuem para um mesmo objetivo, o de fazer o melhor jornal possível.

Eu não sei qual é o tipo de infografia preferida pelo leitor (confesso que o leitor é a última pessoa em quem penso...), só sei que, além de gostar de fazer o melhor possível, gosto de me divertir e de aprender com as coisas que faço e com as pessoas com quem trabalho. Esse é outro segredo importante: trabalhar para você. Uma infografia não é uma tradução fria e estéril de informação escrita em informação visual; um infografista é capaz de analisar a informação que recebe e é capaz de a interpretar de uma forma emotiva. É a partir desse momento, em que damos ainda mais de nós, que o jornal onde trabalhamos passa a ser realmente nosso, é a partir desse momento que custa menos levantar da cama de manhã para ir trabalhar.

Todos ficamos felizes com os prêmios recebidos pelo ‘i’, tanto os da infografia como os do design, no Malofiej, no SND e nos ñh (os prémios de design jornalístico de Portugal e Espanha), mas a verdade é que a nossa atitude nunca mudou face ao trabalho, quanto muito deu-nos mais legitimidade para podermos levar adiante as nossas opiniões e os nossos próprios projetos e para podermos trabalhar ainda mais, para propormos as nossas próprias páginas de infografia com os temas de que mais gostamos, como é o caso do meu colega de infografia, o Ricardo Santos, e da sua paixão por corridas de automóveis e pelo Ayrton Senna. A responsabilidade de honrar esses prémios é acima de tudo a responsabilidade, perante nós próprios, de continuar a fazer bons trabalhos e de nos continuarmos a divertir com o que fazemos todos os dias, quer trabalhemos para o desporto, para a economia ou política, ou para a cultura.

É, aliás, porque trabalhamos para todas estas secções que, na minha opinião, temos a melhor profissão dentro de um jornal: temos de conhecer o novo ministro, saber com quantos pontos fechou a bolsa, descobrir em que esquema tático joga este time de futebol ou saber quanto custou o último filme do Spielberg. Isso é só o princípio, porque depois é preciso comparar com os anos ou jogos ou filmes anteriores, e é claro que perante toda essa informação se torna impossível você não ter uma opinião acerca de tudo, o que acaba por tornar um infografista na pessoa mais culta do jornal e na melhor pessoa para, e é só um exemplo, ficar sentada ao seu lado num casamento.

No fim, o que conta mesmo é saber se você é feliz a trabalhar, se evolui como pessoa e como profissional. Pelo que conheço da infografia brasileira, pela qualidade e pela emoção que vejo nos trabalhos dos jornais brasileiros, acredito que me entendem perfeitamente.”



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