Infografia. Ilustração. Desenho Editorial. Banda Desenhada

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02 abril 2012

A eficácia da simplicidade


Joaquim Guerreiro, coordenador da secção de infografia do ‘Público’. “Muitas vezes, um gráfico é quanto basta para o leitor se situar no espaço, ter a noção de valores e proporções, ter uma visão em perspectiva e ficar sensível à informação que é difícil de entender quando apenas se lê um texto. Uma boa infografia não necessita sequer de texto de suporte: fala por si própria.

Não é fácil, mas é entusiasmante. Cada infografia de grande plano é, por si só, um enorme desafio para um jornal diário. Começam todas da mesma forma: duas infinitas páginas em branco, informação escassa e dispersa e, normalmente, um deadline desconcertante. Quando começamos, é difícil visualizar o resultado final - temos apenas uma vaga ideia. A única coisa certa é a hora de fecho. Mais de metade do tempo é gasto na procura do fio condutor que vai ligar todos os elementos e transformar uma manta de retalhos numa infografia apelativa, coerente no estilo e rigorosa na informação.

Se, por definição, a infografia é informação apresentada de forma gráfica, o tempo despendido na sua produção é tempo ganho para o leitor. Não vamos, porém, pensar que todos partilham da opinião de Andy Warhol, que dizia nunca ler o texto, apenas ver as imagens. O equilíbrio entre a mancha de texto e a mancha gráfica tem que ser negociado. Para o jornalista, toda a informação - escrita - é vital, enquanto o infográfico privilegia a apresentação dessa mesma informação, sempre que possível, de uma forma mais visual e intuitiva.

O ‘Público’ já investe em infografia há muito. A parte mais positiva, e que sustenta a nossa intuição como certa, é o facto de este ter sido um caminho construído dentro de portas, com o mínimo de influência externa, apenas com o tempo necessário para amadurecer o conceito e registo que temos hoje e que prometemos continuar a alimentar e a optimizar.

É a primeira vez que concorremos [aos prémios Malofiej da SNDE] com um Portefólio de Reportagens, não por falta de trabalhos publicados, mas sim por ainda não termos a uniformização necessária do estilo para concorrer nesta categoria. Ainda assim, e olhando para o conjunto premiado de dez trabalhos [medalha de Prata numa categoria onde não foram atribuídas medalhas de Ouro], notam-se melhorias a fazer, muitas delas já resolvidas com o novo layout do jornal, com a uniformização dos títulos e entradas e com uma nova paleta, minimalista, que denota um maior equilíbrio entre cores quentes e frias. O resultado tenderá a ser um grafismo que faz cada vez mais sentido para quem nos lê.

Continuamos com dúvidas, mas muitas foram ficando pelo caminho, como a questão do uso de aplicações 3D e de galerias de ícones e pictogramas que proliferam pela Internet - em vez de criarmos a nossa própria galeria original. Chegámos à conclusão de que esse não é o nosso caminho. Os media enfrentam um mundo cada vez mais digital e apenas faz sentido simplificar. Privilegiar uma linguagem cada vez mais sustentada pelo design gráfico, aliado á capacidade crítica, como forma de conseguir um estilo mais conceptual, em que o uso da cor, aliado á tipografia, tem grande importância. Acreditamos que é na resolução destes pequenos detalhes que está a diferença que cativa e fideliza o leitor.”


Ver ‘Público Lab - Infografias do ´Público’ ganham medalha de prata nos prémios Malofiej’ e ‘Público - Malofiej 20 Portefólio de Reportagens’.

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